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SCROLL

desejo e visualidade na cultura algorítmica
2025—2026
Scroll investiga o que acontece com a fotografia de moda quando produzir, editar, distribuir e consumir imagens passam a fazer parte do mesmo fluxo. Desenvolvido ao longo de um ano, o projeto parte da fotografia como construção para discutir pós-fotografia, iconofagia, circulação, programação da visibilidade e encenação. A questão não é descobrir se uma imagem é verdadeira ou falsa, mas observar como ela produz sentido, desejo e formas de olhar.
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PESQUISA

A pesquisa parte da fotografia como construção para observar como sua relação com verdade, circulação e desejo se transforma na cultura digital. Mais do que localizar o momento em que a imagem passou a ser manipulada, interessa compreender o que muda quando seus mecanismos se tornam evidentes e quando as imagens deixam de depender apenas de quem as procura para circular em fluxos contínuos e programados.
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Do daguerreótipo ao pixel

A fotografia nunca foi uma operação neutra. Enquadramento, pose, cenário, iluminação, tempo e seleção sempre atravessaram aquilo que a imagem apresenta como realidade. A digitalização não inaugura a construção fotográfica, mas amplia sua maleabilidade e torna seus mecanismos ainda mais visíveis para quem produz e consome imagens.

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Pós-fotografia

A transformação não está apenas no aparelho fotográfico, mas na condição da imagem. Ela passa a funcionar como arquivo mutável, replicável, editável e redistribuído em velocidade contínua. A pós-fotografia não significa o desaparecimento da fotografia anterior, mas a intensificação de tensões que já existiam nela.

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Circulação e iconofagia

A circulação deixa de ser apenas o caminho percorrido por uma imagem depois de pronta e passa a interferir em sua própria produção. Imagens se alimentam de repertórios anteriores, retornam reorganizadas e o corpo também passa a ser transformado em imagem para entrar nesse circuito.

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A imagem procura o espectador

Nas plataformas digitais, a visibilidade deixa de depender apenas da decisão individual de procurar uma imagem. Sistemas automatizados selecionam, priorizam e ordenam conteúdos segundo padrões de comportamento, retenção e engajamento. O espectador continua olhando, mas seu campo de visão já chega parcialmente organizado.

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Fotografia de moda e encenação

A fotografia de moda evidencia seu caráter construído. Corpo, roupa, cenário, pose, styling e luz são organizados para produzir uma situação. Reconhecer esse mecanismo não elimina sua sedução: o espectador pode conhecer a construção e ainda assim desejar a imagem, o produto ou o universo que ela propõe.

Revelar o mecanismo não destrói a sedução.
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EDITORIAIS

Os quatro editoriais não ilustram capítulos da pesquisa. Cada um testa uma condição diferente da imagem contemporânea e, juntos, formam o corpo visual de Scroll.
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Imagem como sintoma, monitoramento e dependência. A linguagem hospitalar transforma ansiedade, hiperconectividade e vigilância em uma situação de diagnóstico.

A roupa é deslocada de sua superfície acabada para suas estruturas de construção. Moldes e processos normalmente invisíveis passam a constituir o próprio vestuário e a própria imagem.

O still deixa de existir apenas como apresentação comercial e passa a ser pensado como imagem já preparada para postagem, circulação e consumo.

O fotógrafo assume a posição de observador enquanto o personagem atravessa a cidade absorvido pelo celular. Vigilância, distração e imagem passam a fazer parte da mesma narrativa.

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PROCESSO

O desenvolvimento de Scroll aconteceu de forma acumulativa. Moodboards, modelagem, roupas e objetos autorais, testes gráficos, materiais, registros de bastidores, impressos e vídeos fazem parte do mesmo processo, sem uma separação rígida entre pesquisa, produção e imagem final.
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PUBLICAÇÃO

A publicação reúne pesquisa, fotografia e projeto gráfico dentro de uma mesma estrutura editorial. Scroll foi desenvolvida aproximando a materialidade da publicação impressa de códigos presentes na circulação digital. Interfaces, stories, anúncios, sequências verticais e diferentes ritmos de leitura atravessam as páginas sem transformar a revista em uma simples reprodução da tela. Os quatro editoriais coexistem dentro desse sistema e utilizam a publicação como espaço de circulação entre imagem, produto, corpo e narrativa. Importante ressaltar que as imagens da publicação são únicas. A pós-produção e montagem das imagens foram propositalmente imaginadas de formas diferentes para o ambiente digital e o material impresso, evidenciando a possibilidade de manipulação de imagem na fotografia digital.
16 × 25,5 CM / GRAMPO SUPERIOR / ABERTURA VERTICAL
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CRÉDITOS

Scroll foi desenvolvido como projeto de pesquisa, imagem e publicação para o Trabalho de Graduação Interdisciplinar pela Faculdade Santa Marcelina na conclusão do bacharelado em Moda
Concepção e pesquisa
Lucas Stanso
Direção de imagem
Lucas Stanso
Design editorial
Lucas Stanso
Orientação
Prof. Esp. Marcio Banfi e Prof. Dr. João Marcos da Silva